Sinopse da editora: O cenário
é o de um típico subúrbio americano dos anos 70. Mas são as
forças de Eros e Thanatos que atuam em As virgens suicidas,
envolvendo o leitor numa história original, narrada por uma espécie
de coro semelhante ao das tragédias gregas.
Durante uma festa em sua casa, Cecilia Lisbon, uma garota de 13 anos se joga de uma janela do segundo andar sobre a cerca de ferro. Como uma maldição, num período de um ano, todas as cinco irmãs Lisbon cometem suicídio. Comprimidos, enforcamento, todas as formas são válidas para que, uma a uma, Lux (14), Bonnie (15), Mary (16) e Therese (17) encontrem seu caminho para a morte.
A tragédia marca tanto a rotina da vida local que uma investigação é levada a cabo pelos garotos da vizinhança. Passados 20 anos, eles reúnem um mórbido acervo de evidências, que vão desde entrevistas com parentes até diários e boletins de química. Mas os detetives amadores, determinados a descobrir qual a razão daquelas mortes, lutam para achar as peças deste quebra-cabeça que é a alma feminina.
***
De repente, não mais que de repente, me deparo com o interessante título no destaque da página inicial do skoob, no rol de cortesias. Pensei, com minha mente preconceituosa e rotuladora, "lá vem mais um best sellerzinho canditato ao estrelato literário", mas, por curiosidade, fui conferir o enredo. E eu não estava errada. Aquele marketing característico de um texto ambicioso por sua temática, promovendo o autor de maneira a acreditá-lo como um "dos mais aclamados da contemporaneidade", me soou tão conhecido que não tive dúvidas de que se tratava de mais do mesmo.
Mas a minha queda por romances água-com-açúcar de banca de revista é o freio do meu preconceito e, sempre que uma rotulação minha se constitui pejorativa, essa minha queda trabalha como indicativo e soa como um alarme inelidível. Aí fiquei pensando se eu podia julgar mesmo por um texto que é antes de tudo promocional e que se refere a um perfil específico de público, que começa a ler pela eficiência de um marketing fantástico.
Só aí me dei conta de que não apenas os best sellers, mas os clássicos e todos os demais gêneros são vendidos assim atualmente. Não existe nesses textos promocionais um autor desconhecido, mediano ou controverso. Todos eles, conhecidos ou não, são aclamados, magníficos, hábeis, envolventes e um sem fim de classificações maravilhosas que praticamente lhe indagam: "Mas, como assim, você ainda não leu?! (Compra logo!)". Diante disso, já que o título havia me capturado, que havia um porém a relativizar minha rotulação e eu já havia jogado para cima os afazeres diversos, resolvi pesquisar mais sobre o autor e o livro. Surpresas várias como a descoberta de um filme baseado no livro e boas críticas sérias sobre o autor não superaram a melhor das surpresas: A Companhia das Letras, que lançou uma reedição do livro recentemente, liberou cerca de 20 páginas do corpo do texto.
Sempre achei essa uma medida ambivalente e de uma confiança desmedida nos produtos. Entretanto, no quis diz respeito ao trecho de As Virgens Suicidas, a liberação cumpriu, em mim, com louvor, a função esperada. É claro que, me pergunto de quem é o real mérito do meu gosto pelo livro, um autor criativo ou um tradutor de intervenções criativas. O fato é que as imagens poéticas de Eugenides me capturaram, especialmente pelo seu trânsito suave e bem construído entre essas imagens, os fatos e inferências.
O melhor foi aquela ânsia de ler mais do livro, que é o crivo geral e soberano que, para mim, suprime qualquer outro, inclusive qualquer um que seja qualitativo.

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