quinta-feira, 11 de abril de 2013

A Casa dos Budas Ditosos


Sinopse da editora: Ao receber, segundo afirma, um pacote com a transcrição datilografada de várias fitas, gravadas por uma misteriosa mulher, o escritor João Ubaldo Ribeiro não podia imaginar o que o esperava.

E o inocente leitor, que sequer pode suspeitar o que o aguarda em cada uma das páginas deste livro. Nelas se conta uma vida. E a suposta autora teria enviado seu testemunho para que fosse utilizado para o volume sobre a luxúria da Coleção Plenos Pecados.

O escritor aceitou o oferecimento e o resultado final está agora diante de você. Que deve preparar-se para um relato pouco comum, às vezes chocante, às vezes irônico, sempre instigante. Na verdade, dificilmente a ficção poderia alcançar os limites do que a devassa senhora viveu e narra em detalhes riquíssimos.

Se o leitor tem alguma dúvida, ela logo se dissipará, neste fascinante mergulho na vida espantosa de uma mulher sem dúvida excepcional, cuja narrativa alcança as dimensões de um retrato sociológico de toda uma cultura e uma geração, envolvendo um dos pecados mais indomáveis, e capitais. A luxúria.


***

Foi uma das minhas primeiras descobertas no verão de 2007, na pacata Jiribatuba, terra de meu pai e de um pouco de tédio nos intervalos entre temporadas de corpos seminus, azaração e todo o repertório de verão na beira do mar. Havia poucos dias que tinha descoberto a biblioteca pequena e densa em uma transversal da praça. Saí com ele um tanto camuflado entre diversos outros livros. Cena que, ironicamente, seria contada pelo pai da prima a ela como forma de referir sua admiração por minha relação com a leitura. Não sei se seu discernimento protestante aprovaria alguns dos conteúdos da lista.

Se há momento certo para a leitura de certos e livros - e acredito que há -  este chegou até nos segundos acertados com o destino. Deliciei-me com o formato atípico que, só mais tarde, na faculdade, nas rodas de amigas mais velhas eu descobriria ser um jeito feminino de iniciar-se no mundo das conversas sobre sexo. Oscilando entre aquela descrição que se justifica, que se explica e termos que parecem sair da nossa boca como a proclamação deliciosamente descarada de uma tal liberdade de expressão.

Anos depois eu bateria muita boca com meu melhor amigo no Facebook por conta de sua incompreensão em meu gosto por esse livro. Ele me tem em conta de um gosto refinado e seletivo, incompatível com a linguagem direta que ele identificou como grosseira e vulgar sem razão ou transgressão. Disse a ele que gosto e pronto, sem entender de todo o porquê, mas já começando a adivinhar quando lhe disse que meu gosto e seu desgosto pelo livro - que ele leu com minhas expressivas e apaixonadas recomendações - refletiam nossas personalidades, nossas preferências.

Só hoje percebo que desejo de liberdade feminino o livro inspira. Quantos deliciosos risos abafados eu dei na leitura escondida e íntima e, o quanto me parecia extremamente irônico ler na sala aproveitando os problemas de visão dos mais velhos. Eu e o livro, quase um, destoando e rindo do contexto que se quis tão casto. Eu, o livro e suas imagens que brincaram com meus hormônios púberes.

De fato, não transgride no modo de fazer literatura. Para mim, difere muito no modo de tratar o assunto. No manejo da palavra, gosto mais do Ubaldo de outros livros. Mas parece que esse livro opera reencontros em mim e minhas rodas femininas. E, a que se encontra com o livro, esteve em mim desde sempre, desde antes de conhecermos liberdades outras.




A Casa dos Budas Ditosos - Skoob

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