Porque eu me alimento de verbos.
O subtítulo é meio mentiroso.
Se houver uma classificação, tal qual aquela que aprendemos na aula de ciências, ainda com dentes de leite, eu sou mesmo onívora por excelência. Claro, na minha estante você achará poucos best sellers por um preconceito incompreensível para uma leitora confessa de romances de banca, baratos e previsíveis, açucarados e sexistas. Mas uma onívora também pode ter suas restrições, suas reservas, enjôos e precauções à frente de um prato, não é?
No mais, prefiro mesmo alimentos atemporais, textos que resistem ao tempo, que parecem trabalhar no silêncio do nosso sono, ressignificando-se, fazendo-se prenhe de novos sentidos de dentro da capa pertencente à avó para cortejar a neta. Gosto de textos que me deixam ser dormir, que ameaçam sublimar minhas necessidades e me fazem descobrir as manobras necessárias para ler de pé, entre solavancos em um ônibus cheio. Gosto de textos desconfortáveis, desconcertantes, intensos, doidos até. Porque eu gosto de sentir através das palavras, gosto das latência contínuas que um bom texto desperta, do bolero em suspense que toca em silêncio até o fim, até a derradeira página..
Mas também gosto de amenidades, porcarias.
Porque eu tenho a gula de dragar o mundo!
Por isso esse meu diário de leitura.

Hummmmmmm! Gostei!
ResponderExcluir:D Que bom!
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