Sinopse da editora: “Querido John”, dizia a carta que partiu um coração e transformou duas
vidas para sempre.
Quando John Tyree conhece Savannah Lynn Curtis, descobre estar pronto para recomeçar sua vida. Com um futuro sem grandes perspectivas, ele, um jovem rebelde, decide alistar-se no exército, após concluir o ensino médio. Durante sua licença, conhece a garota de seus sonhos, Savannah. A atração mútua cresce rapidamente e logo transforma-se em um tipo de amor que faz com que Savannah prometa esperá-lo concluir seus deveres militares. Porém ninguém previa o que estava para acontecer, os atentados de 11 de setembro mudariam suas vidas e do mundo todo. E assim como muitos homens e mulheres corajosos, John deveria escolher entre seu país e seu amor por Savannah. Agora, quando ele finalmente retorna para Carolina do Norte, ele descobre como o amor pode nos transformar de uma forma que jamais poderíamos imaginar.
Quando John Tyree conhece Savannah Lynn Curtis, descobre estar pronto para recomeçar sua vida. Com um futuro sem grandes perspectivas, ele, um jovem rebelde, decide alistar-se no exército, após concluir o ensino médio. Durante sua licença, conhece a garota de seus sonhos, Savannah. A atração mútua cresce rapidamente e logo transforma-se em um tipo de amor que faz com que Savannah prometa esperá-lo concluir seus deveres militares. Porém ninguém previa o que estava para acontecer, os atentados de 11 de setembro mudariam suas vidas e do mundo todo. E assim como muitos homens e mulheres corajosos, John deveria escolher entre seu país e seu amor por Savannah. Agora, quando ele finalmente retorna para Carolina do Norte, ele descobre como o amor pode nos transformar de uma forma que jamais poderíamos imaginar.
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É um best seller, né? Aí, só de ouvir a oferta para ler, meu preconceito gritou e riu de desdém. Mas, menina polida e amiga que sou, ri discretamente e confessei o preconceito. E claro, as bonitas das colegas de estágio me desafiaram a ler, crendo que eu me apaixonaria.
Eu, arrogante, não só aceitei como disparei: vou mostrar pra vocês o outro lado de John. Isso eu falei pressupondo sexismo na abordagem do Nicholas Sparks que eu, até então, desconhecia. Pressupondo ainda que, o romance estaria todo trabalhado naquele mesmo nariz de cera de todo romance que dizem ser feminino e que a leitura seria ou de riso ou de suplício.
Eis que, na verdade, nem riso nem suplício. Li numa naturalidade estranha, uma tolerabilidade anormal. Só que, não passou disso mesmo: estava tudo ali, tudo que supus. A estrutura comum a vários, um sexismo um tanto disfarçado e personagens que só ameaçam serem diferentes.
Do John que motivou o desafio eu não pude desvendar e apresentar o outro lado. Isso me deixou triste, porque John me parece raso e raso, pra mim, tem cara, cheiro e gosto de patriarcado. É, tive que humildemente reconhecer que não havia outro lado além do que me apresentaram: um homem apaixonado, fiel, rendido. Acontece que, transportado à realidade, esse homem, para mim, não serve. E pouco serve em uma prosa que o permite ser raso como John é. Um homem de um lado só, de uma banalidade que, pra mim, é inventada, determinada demais para ser verdade.
É claro, não jogo fora. Não eu, que leio romances "água-com-açúcar" de banca de revista com prazer, buscando-os, comprando-os, trocando-os, recomendando-os, curtindo-os mesmo. Cheguei a ficar com olhos marejados de lágrimas em algumas situações que, suponho, de tão universais, de tão referentes a um repertório socialmente construído para a mulher, me emocionam mesmo, capturam minha sensibilidade, sem a escapatória que eu desejaria.
Como sempre, fiquei com aquela dúvida: quem, de fato, se expressou ali, Sparks ou a tradutora, Patrícia de Cia?
Todavia, o que me marcou mais significativamente foi a reelaboração da minha relação com a literatura "água-com-açúcar", com a qual rompi no fim da adolescência e hoje tenho uma relação que minha vó classificaria significativamente de "home besta com mulé ruim": sem vergonha, mas sem explicação, segundo opiniões expertas no senso comum. Entendi aos poucos que, cada gênero ou forma de abordagem se encontra com coisas diferentes em cada leitor, em cada personalidade e/ou forma de ler o mundo. Larguei esse gênero no fim da adolescência porque achava que ele não agregava, nem às minhas convicções, nem ao meu vocabulário, que são as coisas que me são caras e que meus livros preferidos mobilizam, alimentam. Mas eu não sou só isso e a maneira como essas duas coisas se constituem não se desenvolve sem controvérsias, sem oposições, hesitações ou desgostos.
Ainda não identifiquei de todo o quê, de fato, se alimenta com essa literatura. Se os sonhos que eu considero que nunca tive, se essa tendência desses livros de se colocarem singelamente no lugar do que quer despertar sonhos comuns, de fácil acesso e construção, um lugar de humildade, que não costumo encontrar facilmente nas propostas de best sellers.
Ou, se a recusa a John e seus semelhantes é uma construção em oposição ao que "naturalmente" se estabeleceu em mim. Andando ou correndo, pilotando, dirigindo, mesmo sem cavalo, um príncipe ainda é um príncipe. Quem nunca?
Sei lá, só devoro.

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