quinta-feira, 7 de novembro de 2013

O Clube dos Anjos





(Há spoilers a partir do 3º parágrafo. Poucos e, pelo que considero, sem prejuízo ao prazer de ler o livro)






Sinopse da editora: Dez amigos reúnem-se desde a adolescência em jantares mensais. São 21 anos em nome dos prazeres da mesa, bebendo e comendo bem. Um certo dia, no entanto, surge um novo cozinheiro com receitas incomparáveis, dando à história nuances de suspense. Um júri formado por profissionais de bibliotecas de Nova York colocou este livro de Veríssimo na lista dos 25 melhores livros da Literatura Mundial.













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Eu tenho uma queda confessa pela forma de escrita de Luís Fernando Veríssimo. Nem sempre rio de gargalhar diante de suas páginas publicadas. Aliás, raramente o faço. Mas, é com bastante frequência que um dos cantos da boca vai em direção à orelha no intuito de um sorriso que começa, assim que vejo suas marcas registradas ou me deparo com aquelas construções que parecem ser simplesmente sacadas geniais. E se me perguntar, não sei de todo especificar, mas sei que há bom humor e metáforas geniais, de forma que eu rio mesmo que não mova um só músculo. Coisa que chamo de prazer.
Sempre rejeitei antecipações de enredo, acostumada que sou a ir descobrindo, por já saber que, em geral, finais previsíveis lhe deixam deduzir todo o recheio da trama. Foi com o Clube dos Anjos a primeira vez que resolvi encarar o livro sabendo do fim, ou antes, sabendo dos fatos.
Dez amigos, uma história em comum que se desdobra no extermínio de todos eles que, você vai descobrir, poderia ser evitado, de forma que, em alguns casos, estaremos diante de uma caminhada voluntária do personagem em direção à morte.
Lá do alto dos meus 17 anos isso me intrigou bastante, uma vez que, até ali, não me passava pela cabeça que alguém que não estivesse compulsoriamente compelido à morte pudesse voluntariar-se a ela ou jogar com a própria vida um jogo de azar evitável. Por outro lado, a densidade das amizades de grupo me parecia muito próxima das minhas observações. Não que em algum dos meus grupos os perfis estivessem alinhados com o do grupo criado por Veríssimo. Mas os tipos, as formas de vinculação, de evolução, dispersão, consolidação dos laços, os afetos e paixões. Pareceram plausíveis.
Não sei se sobreviverá à regra dos 15 anos, mas acho que é um livro para ler em cansaços etários diversos. Uma delícia.

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